Caras amigas (e amigos, por aqui ninguém é desprezado), depois de uma demasiado longa ausência na blogosfera, volto com os relatos do que se passa pelo nosso belo país.
Aqueles que me conhecem sabem que gosto de percorrer o país, de preferência com a máquina fotográfica pendurada no pescoço (o que já me levou a uns escaldões de formatos interessantes), pronta a captar os registos tão característicos e únicos das terras por onde passo. Lamentavelmente, para a história que vos vou relatar, não há registos fotográficos. Há sim um grande amor no coração da minha irmã, que vale por mil imagens.
Corria a 2.ª quinzena de Agosto e decidimos ir passar uns dias à pequena mas não menos bela cidade de Borba. O episódio que quero partilhar convosco passou-se numa noite específica, em que fomos jantar a um restaurante denominado "Tasca Real". Aquela combinação de nomes que, por si só, deixa já muito a desejar. No entanto, as expectativas eram altas, uma vez que o restaurante nos tinha sido recomendado e, como toda a gente sabe, no Alentejo come-se mesmo muito bem (ninguém sai de lá sem uns quilinhos a mais).
Pois bem, após o ar apavorado da minha irmã ao ver aquele nome, este ar adensou-se ainda mais quando verificámos que o próprio espaço confirmava o nível "reles" do ambiente, conforme seria de esperar nestas terras. Um "restaurante" repleto de idosos, todos eles encantadores. Encaminharam-nos para a única mesa de bancos compridos, onde havia a indicação "Reservado para grupos" escrita num cartão tão engordurado que a cor de algumas letras já se desvanecia. E aquela mesa, que estava reservada para grupos, deixou rapidamente de o estar, o que pode suscitar a legítima questão "Será que algum grupo reserva efectivamente ali mesa?".
Eis quando surge a bela figura que, sem saber, viria a despoletar o amor ardente por parte da minha irmã. Não sei se hei de começar pelos seus 1,50m, pela sua camisa aos quadrados ou pelo seu arzinho "labrego", onde só faltava o lápis atrás da orelha para ter o ar de completo merceeiro. Mas o que não pode faltar neste relato é a menção ao magnífico bigode. Farfalhudo, que enrolava nas pontas. Um primor.
Não quero maçar aqui o leitor com pormenores de todo o jantar, por isso passamos à parte geralmente mais agradável da refeição - a sobremesa. Aquando da pergunta "O que tem para sobremesa?", este homem, que fazia bater o coração da minha irmã a mil à hora, responde: "Maçã assada, mousse, melão e pêros." E foi aqui que ocorreu a epifania, qual "petite madeleine" de Marcel Proust. Ao ouvir palavra "pêros", a minha irmã teve a certeza de que aquele era o homem da sua vida. A palavra "pêros" tornou-se sinónimo de amor, tanto que agora expressões como "Eu pêro-te" são frequentes cá em casa.
O que torna este homem tão único e diferentes dos outros? É que NINGUÉM diz "pêros". E o sonho de qualquer mulher é ter um homem que não seja igual aos outros. Meninas, esqueçam, que já tem dono.
Gostaria, no entanto, de partilhar uma imagem captada durantes esses dias, uma vez que não foi possível registar iconograficamente (sim, porque oniricamente ele está lá) o homem dos pêros.

Tenho pena de não ter conseguido apanhar um carro com publicidade a uma oficina, que prestava serviços a "camions", esses grandes veículos que minam as estradas portuguesas.
Mas enfim, Borba tem tudo isto e muito mais para dar, o que só prova que o amor está onde menos se espera.
1 comentário:
lindoo!
o nosso país é magnífico
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