terça-feira, 8 de maio de 2012
Terá a boa esperança surgido agora em Paris?
Hollande ganhou. E então??
Terá o novo futuro presidente francês margem de manobra para fugir às cláusulas das garras Merkel? Mais, terá real interesse em equilibrar a dimensão social do seu país e da Europa, sobretudo a periférica? Independentemente do comportamento-Sarkozy até agora, e das envolvências em que se alinhou comprometer, pretendendo fortalecer uma parte da Europa ( que todos sabem identificar), em mais directo ou indirecto detrimento da "outra" Europa que se encaminha para um progressivo estado de dívida e inegável desigualdade social, quem assistiu ao último debate, como eu, não pode ficar em êxtase optimista com a retórica de Hollande. Sarkozy é extremamente inteligente na arte do debate e da argumentação. Hollande não possui a mesma ciência do saber argumentar, sintetizar, responder (sim, é difícil saber responder. Será essa talvez a mais importante característica de um político durante um debate como este) e isso foi notório. Não, a capacidade de argumentação não deveria pesar na balança. Sabe-se que levada ao extremo da fome pelo poder conduz à demagogia e nada é mais triste e frustrante na política do que a tentativa de manipulação do populato.
Mas, para terminar o meu ponto, ou questão...só mais 2 ideias.
Primeiro, e como referi, não julgando a actividade de Sarkozy no panorama europeu e internacional, o discurso do ainda-não-terminado-Presidente-francês, não me pareceu nem demagogo nem excessivo. Pareceu-me realista, pecando talvez pelo extremo realismo. Mas não ilusório. O mesmo não posso dizer, e muito infelizmente, de Hollande. A preocupação social, a nível interno, parece lá estar. Só me faltou compreender a exequidade das medidas que apresentou, nomeadamente em relação ao desemprego e mesmo à educação. Para não falar da elasticidade que anunciou utilizar para alterar os acordos franco-germanos. Já o espectáculo de Hollande foi outro. Mais nervoso, mais ansioso, aparentemente menos seguro. E daí ponho-me a pensar numa 2a ideia...
Será que estamos tão desesperados hoje, nós europeus, que precisemos tanto de ouvir que seremos amados e cuidados assim que o novo presidente da nossa vida surgir diante dos nossos olhos? A ânsia será de tal forma que, para nos ganharem o coração, basta anunciarem a mudança, o compromisso e a dedicação futuras sem que atendamos sequer às reais possibilidades de o mesmo acontecer?
SERÁ QUE HÁ MESMO MARGEM DE MANOBRA PARA DESVIAR O BARCO DO SEU CURSO? E, DESVIANDO, PIORA-SE OU MELHORA-SE A VIAGEM? ou melhora-se agora mas piora-se mais tarde?
Por fim, resta-me ganhar esperança em Hollande e na sua autenticidade política. Autenticidade política. Ou diria melhor, CORAGEM política.
Real bravura e dedicação social para REALMENTE, fazer o melhor que conseguir, DENTRO da margem que lhe é inescapável, para devolver à Europa o que os grandes pensadores deste Continente tiveram uma vez, numa época não muito distante, a dizer sobre a Justiça. Justiça, é disso que se trata.
Mas justiça. E a todos os níveis.
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4 comentários:
Grande texto!! E perguntas muito pertinentes! Acho que no ponto em que estamos só podemos esperar que a mudança traga algo de bom! E com isto provou-se que a França não estava contente com o rumo que levava...e pode ser que mude alguma coisa, ou pelo menos é um começo! só resta esperar para ver...
Yeah!!
Pois é...só nos resta ter esperança. Daqui a uns anos já saberemos a resposta!
On verra!!
Ritinha, adorei o teu texto! ;)
É uma incógnita, não sabemos se será bom ou não, esperemos que seja uma mudança para melhor. Veremos!
Beijinhos,
Drica
thanks man!!
sim..só podemos esperar para ver!
tás quase cá!! can´t wait
Bjnho*
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