Por acaso sempre foi daquelas coisas que me deixou pensativa mas que nunca levei até
às ultimas consequências. Será escusado dizer que nunca percebi esse costume (e aqui costume é o termo certo, já que é a estranha convicção de obrigatoriedade que me deixa perplexa, e não um mero hábito ou uso), que tão simplesmente se finaliza com uma afirmação tão doce e tão própria do mundo das crianças do género :"Ah! e verdade Rita!...lembras-te daquela história que diziamos sempre na altura do Natal, do velhote que descia a chaminé e q era tão impecável que nos deixava sempre presentes lá em casa e a quem escrevias aquelas cartas enormes? bem...ele não existe!!"
Pois...choque!Choque autêntico!Lembro-me do dia, do local e de quem me disse isso com a maior leveza e naturalidade possível, como se fosse tudo parte da evoluçao do mundo de criança para a fase "já-vou-para-a-Primária-e-não-há-nada-que-eu-já-não-saiba".
Agora passando para um possível sintoma dessa precoce falácia santa clausiana para o que sucede no resto da vida: "é assim, certo, mas é só na teoria, na prática as coisas não são assim!", ou "Mas repara, isso é o que a lei diz, agora o que sucede na prática é que ninguém a respeita e com a tal convicção de obrigatoriedade forma-se então o costume contra legem", ou "Sim, ficou combinado aparecer lá às 20hrs, mas como ninguém aparece lá a essa hora, apontamos para as 21hrs para não ficarmos a apanhar do ar" ou o tão típico exemplo dos políticos :"Não vamos aumentar os impostos!é uma promessa!"...
Sim, quem sabe se essas atitudes díspares da ilusão e da realidade não têm origem na velha falácia do Pai Natal...ou noutras falácias semelhantes que logo em criança começamos por ouvir?! Resta a pergunta...se a verdade é X porquê vê-la com olhos de y?qual é o objectivo? Haverá um objectivo? Mas porquê iludir?
E se pensarmos ainda mais no assunto veremos rapidamente que a ilusão é um grande sintoma da nossa sociedade...e em primeiro lugar a ilusão que damos a nós mesmos e que nos diz que é assim que deve ser, é assim que sempre se fez.
A verdade....? que tal tentar passar a dizê-la tal qual é, sem alterações?!...pode ser que as gerações futuras nos venham agradecer.
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