domingo, 9 de março de 2008

A velha falácia do Pai Natal

Por acaso sempre foi daquelas coisas que me deixou pensativa mas que nunca levei até
às ultimas consequências. Será escusado dizer que nunca percebi esse costume (e aqui costume é o termo certo, já que é a estranha convicção de obrigatoriedade que me deixa perplexa, e não um mero hábito ou uso), que tão simplesmente se finaliza com uma afirmação tão doce e tão própria do mundo das crianças do género :"Ah! e verdade Rita!...lembras-te daquela história que diziamos sempre na altura do Natal, do velhote que descia a chaminé e q era tão impecável que nos deixava sempre presentes lá em casa e a quem escrevias aquelas cartas enormes? bem...ele não existe!!"
Pois...choque!Choque autêntico!Lembro-me do dia, do local e de quem me disse isso com a maior leveza e naturalidade possível, como se fosse tudo parte da evoluçao do mundo de criança para a fase "já-vou-para-a-Primária-e-não-há-nada-que-eu-já-não-saiba".
Agora passando para um possível sintoma dessa precoce falácia santa clausiana para o que sucede no resto da vida: "é assim, certo, mas é só na teoria, na prática as coisas não são assim!", ou "Mas repara, isso é o que a lei diz, agora o que sucede na prática é que ninguém a respeita e com a tal convicção de obrigatoriedade forma-se então o costume contra legem", ou "Sim, ficou combinado aparecer lá às 20hrs, mas como ninguém aparece lá a essa hora, apontamos para as 21hrs para não ficarmos a apanhar do ar" ou o tão típico exemplo dos políticos :"Não vamos aumentar os impostos!é uma promessa!"...
Sim, quem sabe se essas atitudes díspares da ilusão e da realidade não têm origem na velha falácia do Pai Natal...ou noutras falácias semelhantes que logo em criança começamos por ouvir?! Resta a pergunta...se a verdade é X porquê vê-la com olhos de y?qual é o objectivo? Haverá um objectivo? Mas porquê iludir?
E se pensarmos ainda mais no assunto veremos rapidamente que a ilusão é um grande sintoma da nossa sociedade...e em primeiro lugar a ilusão que damos a nós mesmos e que nos diz que é assim que deve ser, é assim que sempre se fez.
A verdade....? que tal tentar passar a dizê-la tal qual é, sem alterações?!...pode ser que as gerações futuras nos venham agradecer.

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